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Também denominado "empírico", o
conhecimento vulgar é o que todas as pessoas adquirem na vida
quotidiana, ao acaso, baseado apenas na experiência vivida ou
transmitida por alguém. Em geral resulta de repetidas experiências
casuais de erro e acerto, sem observação metódica nem verificação
sistemática, por isso carece de carácter científico. Pode também
resultar de simples transmissão de geração para geração e, assim, fazer
parte das tradições de uma colectividade.
Não é necessário estudar Psicologia
para se saber que uma pessoa está alegre ou está triste. Você conhece o
estado de humor dessa pessoa porque empiricamente já passou por muitas
experiências de contacto com pessoas alegres ou tristes. É igualmente
vulgar o conhecimento que, em geral, o lavrador iletrado tem das coisas
do campo. Ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos anunciadores
de chuva, o comportamento dos animais. Sabe onde furar um poço para
obter água, quando cortar uma árvore para melhor aproveitar a sua
madeira e se a colheita deve ser feita nesta ou naquela lua. Ele pode,
inclusive, apresentar argumentos lógicos para explicar os factos que
conhece, mas o seu conhecimento não penetra os fenómenos, permanece na
ordem aparente da realidade. Como é fruto da experiência circunstancial,
não vai além do facto em si, do fenómeno isolado.
Embora de nível inferior ao científico,
o conhecimento vulgar não deve ser menosprezado. Ele constitui a base do
saber e já existia muito antes do homem imaginar a possibilidade da
Ciência.
[…]
O conhecimento científico resulta de
investigação metódica, sistemática da realidade. Ele transcende os
factos e os fenómenos em si mesmos, analisa-os para descobrir as suas
causas e concluir as leis gerais que os regem.
Como o objecto da Ciência é o universo
material, físico, naturalmente perceptível pelos órgãos dos sentidos ou
mediante a ajuda de instrumentos de investigação, o conhecimento
científico é verificável na prática, por demonstração ou experimentação.
Além disso, tendo o firme propósito de desvendar os segredos da
realidade, ele explica e demonstra os fenómenos com clareza e precisão,
descobre as suas relações de predomínio, igualdade ou subordinação com
outros factos ou fenómenos. De tudo isso conclui leis gerais,
universalmente válidas para todos os casos da mesma espécie.
GALLIANO,
A. G. (1979). O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harper &
Row, pp. 18-19 (adaptado). |