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Os filósofos analisam ideias. Nós
desmontamo-las e depois tentamos montá-las de novo para entender como
funcionam. Como mecânicos de automóveis, muitas vezes tentamos consertar
ideias defeituosas. A análise do conhecimento como crença verdadeira e
justificada decompõe-no no que denominamos condições necessárias e
suficientes ou, mais exactamente, em condições independentemente
necessárias e conjuntamente suficientes. Talvez seja necessária uma
explicação. Tomemos o conceito ou ideia de solteiro. Analisar
filosoficamente o conceito é decompô-lo em condições necessárias e
suficientes. Começamos com uma definição: “Solteiro é um ser humano
não-casado do sexo masculino em idade de casar”. Quais são os
componentes aqui? Sexo masculino. Ser humano. Não-casado. Em idade de
casar. Há quatro condições. Cada uma é necessária para o solteiro. Você
não pode ser solteiro sem ser do sexo masculino. Mas isso apenas não é
suficiente. O meu cão é macho, do sexo masculino. É preciso ser também
humano. Mas eu sou humano e do sexo masculino sem ser solteiro. Assim,
continuamos sem suficiência. O sujeito não pode ser casado também. Mas
um bebé pode ser humano, do sexo masculino e não-casado sem contar como
solteiro. Assim, mais uma condição é necessária. Um ser humano
não-casado do sexo masculino, para contar como solteiro, tem de estar em
idade de se casar. Cada uma das quatro condições é necessária, e as
quatro conjuntamente bastam para o conceito de solteiro. Os filósofos
empregam o mesmo processo de análise para compreender conceitos
importantes como as nossas ideias de conhecimento, liberdade ou Deus.
Morris, T. (2000). Filosofia para dummies. Rio de Janeiro:
Campus, p. 41 (adaptado).
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